segunda-feira, 22 de outubro de 2007

F-1: a justiça tarda, mas não falha


Fotos: EFE e Erick Leite

De encher os olhos. É assim que podemos resumir a última etapa da temporada 2007 da Fórmula 1, disputada no último domingo (21) no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos (SP). Palco da decisão do título mundial pelo segundo ano consecutivo, o reformado circuito paulistano foi cenário para uma disputa tripla que poderia consagrar o ano brilhante de um novato, mas que no final das contas coroou a persistência e o talento de um piloto que, momentos antes da corrida, era visto pela grande maioria dos entusiastas da categoria como o "azarão" da disputa.

Kimi Matias Räikkönen, finlandês de 28 anos recém-completados na última quarta-feira, é o novo campeão do mundo. Conhecido dentro do "circo" da categoria por sua frieza nos momentos decisivos, o companheiro de Felipe Massa engrenou de fato apenas a partir do GP francês. Entretanto, não há como contestar a conquista de Kimi, que soube ter calma e habilidade nos momentos decisivos, qualidades que faltaram a Massa e Hamilton. Enquanto o brasileiro pagou caro pelos erros cometidos pela Ferrari e principalmente por ele próprio, Lewis pecou por sua inexperiência, que lhe custou a perda de um título que parecia assegurado. Mesmo assim, o inglês fecha o ano em alta por seu desempenho até as provas de Xangai e São Paulo.

Fernando Alonso, terceiro colocado em Interlagos e na classificação do campeonato, agora tem caminho livre para abandonar o barco chamado McLaren. Uma "embarcação" que tinha tudo para fechar o ano após escapar ilesa do caso de espionagem entre equipes, mas que zarpa de volta para a Inglaterra em clima de velório. Punição justa para a escuderia de Ron Dennis, que conseguiu manchar a reputação de um nome mítico para os amantes de velocidade e queteve nomes como Ayrton Senna e Alain Prost sentados em seus cockpits.


Mas em um campeonato em que a mídia voltou seus holofotes para a dupla McLaren-Ferrari, vale destacar o brilhante papel de alguns ótimos coadjuvantes. Um deles - e talvez o principal - é Robert Kubica, que apesar de fechar o anoatrás de seu companheiro de equipe Nick Heidfeld, realizou uma temporada digna de aplausos. Após escapar da morte no Canadá, o polonês narigudo ficou ainda mais destemido, incorporando a "filosofia Highlander" de ser e pilotando de forma cada vez mais arrojada.

Os outros destaques vão para uma dupla de alemães: o veloz Nico Rosberg, um dos remanescentesda boa safra 2005 da GP2 e filho do campeão Keke Rosberg, e Sebastian Vettel, piloto mais jovem a liderar e pontuar em uma corrida de Fórmula 1 e que fez milagre a bordo da pífia Toro Rosso. São três nomes que há muito tempo deixaram o posto de simples promessas e que devem entrar na próxima temporada com boas credenciais para andar na frente.

Esse é o balanço da temporada 2007 da Fórmula 1, um ano marcado por revelações, polêmicas, intrigas e escândalos, dentro e principalmente fora das pistas. Tanto é que a história pode estar longe de terminar, já que a McLaren (sempre ela) vai apelar da decisão da FIA, que optou por não punir as equipes BMW e Williams por irregularidades na temperatura dos combustíveis. Portanto, aguardem os próximos capítulos...

Até a próxima!

Vitor

5 Comentários:

SAVIOMACHADO disse...

Muito bom Vitor! Eu espero que essa novela termine logo. Acho que ninguém mais quer saber de Campeonato de F1 sendo decidido entre 4 paredes.
Um grande abraço.
SAVIOMACHADO

Felipe Maciel disse...

Que bom que você escreveu sobre a final da temporada, Vitor! Muito bom o texto, realmente temos grandes promessas para o ano que vem, a nova geração tem muita gente boa...

O título do Raikkonen foi sobretudo da Ferrari, que trabalhou como um time, ao contrário da mcLaren, que lutou contra si mesma. O carro do Alonso não rendia a metade do de Hamilton, o Ron Dennis deve ter dado uma batizada no bólito do espanhol aqui no Brasil só para o inglês ganhar, e acabou que a Ferrari levou os dois mundiais mesmo levando pau da McLaren o ano todo. Foi a vitória de uma equipe unida contra um time conflituoso. Acho que o Raikkonen não foi o melhor piloto do ano, mas o título ficou em boas mãos.

Abraços

Blog F1 Grand Prix disse...

Vítor,

De fato, como você disse, o Massa facilitou, sim, a ultrapassagem do Raikkonen. Assistindo à corrida da arquibancada, tive a nítida impressão de que os méritos haviam sido todos do Raikkonen. Vendo a reprise pela TV, porém, fica claro que o Massa tirou o pé. Obrigado pela sua crítica lá no meu Blog, sua opinião é muito importante para mim!

Grande abraço!

Gustavo Coelho

R. Bellote disse...

O finlandês mereceu.

abs,
R. Bellote

Uri Coimbra disse...

Oi, Vitor. Excelente texto. Fazia mto tempo que não gastava uns bons minutos curtindo o Motor Haus. Como sempre, mta coisa legal, novidades e furos. Parabéns!!! E que tal escrever um balanço da Stock em 2007? Já li aí em outro site a sua opinião a respeito da última corrida em Tarumã. Então você teria muito a dizer, certo? hehe.. beijos. Uri

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